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BRASIL

Mulheres negras são maioria das vítimas de feminicídio no país

Mulheres negras lideram estatísticas de feminicídio no Brasil. Dos 5.729 registros de feminicídios entre 2021 e 2024, impressionantes 62,6% das vítimas eram negras, conforme revelado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Esse dado perturbador

Mulheres negras lideram estatísticas de feminicídio no Brasil. Dos 5.729 registros de feminicídios entre 2021 e 2024, impressionantes 62,6% das vítimas eram negras, conforme revelado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Esse dado perturbador ilustra uma intersecção alarmante entre violência de gênero e desigualdade racial.

Embora a violência letal contra as mulheres tenha diversas nuances, é evidente que ela atinge desproporcionalmente mulheres negras. Para Samira Bueno, diretora executiva do FBSP, essa realidade explícita é reflexo da extrema vulnerabilidade dessa população. Mas por que exatamente o feminicídio não pode ser visto apenas como uma questão de gênero?

Como a desigualdade racial agrava a violência contra mulheres negras?

A entidade responsável pelo levantamento assinala que o feminicídio precisa ser analisado além do aspecto de gênero, considerando as desigualdades estruturais da sociedade, que incluem a persistente desigualdade racial. Essa violência, frequentemente desenvolvida no ambiente privado e ao longo do tempo, poderia ser interrompida com condições institucionais adequadas.

"Trata-se de uma violência que se desenvolve no espaço privado, muitas vezes ao longo do tempo, e que poderia ser interrompida antes de alcançar seu desfecho fatal, desde que haja condições institucionais para isso", concluiu o relatório do FBSP.

Qual é o perfil típico das vítimas e dos agressores?

Homens com vínculos íntimos com as vítimas são responsáveis por 59,4% dos feminicídios, sendo principalmente companheiros atuais ou passados. Em contraste, apenas uma minoria (4,9%) dos casos foi cometida por desconhecidos. Esse cenário reforça a natureza da violência como uma questão inerente a relações de intimidade e poder, onde a autonomia feminina é frequentemente vista como uma ameaça.

No mesmo período, 97,3% dos crimes foram cometidos por homens, o que evidencia ligações com padrões de masculinidade que associam poder ao controle e posse sobre as mulheres.

Por que o lar é o cenário mais comum desses crimes?

A violência doméstica continua sendo um problema crítico, com 66,3% dos feminicídios ocorrendo dentro da residência das vítimas. O levantamento do Fórum sugere que esse ambiente propício a desigualdades de gênero muitas vezes resulta em violência letal.

"A centralidade da residência como cenário do crime é mais um elemento que mostra que estamos diante de uma violência enraizada no cotidiano doméstico, no interior de relações afetivas e familiares", indicou o Fórum.

Quais são as soluções para enfrentar essa violência?

Apesar de leis como a Lei Maria da Penha serem consideradas avanços importantes, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir a proteção das mulheres. Segundo Samira, uma das principais demandas é a descentralização das políticas públicas, para que cada cidade tenha a capacidade de atender adequadamente as mulheres vítimas de violência.

"A gente tem uma boa legislação, tem equipamentos e unidades especializadas de referência em muitos lugares, mas como é que a gente vai fazer para de fato dar capilaridade para a política?", questiona Samira.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública sugere maximizar o uso das infraestruturas já existentes em pequenos municípios para oferecer suporte, como Unidades Básicas de Saúde e centros de assistência social.

“É possível mobilizar equipamentos que já existem e estão presentes na maioria dos municípios de pequeno porte, como Unidades Básicas de Saúde, delegacias não especializadas e centros de assistência social, para que integrem de forma estruturada a rede de atendimento às mulheres em situação de violência doméstica”, diz o relatório da entidade.



Com informações da Agência Brasil

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